quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A VIDA NÃO É UMA MERCADORIA

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É no minímo engraçado ser acusado de utopia por políticos cuja carência mental e imaginativa levou todas as classes sociais a um
desespero incessante face ao absurdo do sistema de governação. Isto para não falar dos pensadores contestatários, candidatos ao
render da guarda burocrática. Excepto no caso do pensamento Situacionista, não vejo surgir nem uma única ideia que não pertença
a esse tecido corroído pelas traças que a limpeza episódica da Modernidade faz endossar ao velho Mundo. Procurai pois, desde
Marx, Fourier, Holderlin e Stirner, com que abrir uma perspectiva que não seja aquela em que o ser Humano é encenado pela
mercadoria que produz!! A Utopia? Mas não haveis
parado de vos esparramar nela! Exaltastes a Cidade de Deus e as suas fogueiras; a estabilidade social de Rathier de Vérone,
cimentada pela hierarquia dos padres, guerreiros e trabalhadores; o povo do III Reich milenarista; o Comunismo igualitário e os
seus Pais do Povo; o socialismo do consumo, cujas democracias de supermercados asseguravam a vida promorcional, e, até, a
retoma económica e financeira que promete a unção da riquexa àqueles que a tiverem merecido. O projecto de uma
Sociedade não é mais do que aquilo que já se perfila à luz da nova economia, na obscuridade e nos derradeiros sobressaltos de
uma economia moribunda. Gostava que os inimigos do mundo dos negócios não caíssem
no ridiculo de chamar «Nova Economia» à fase terminal de um capitalismo que apenas enveste no circuito financeiro e que dá cabo
de tudo, inclusive da sua própria sobrevivência, para acumular no vazio do Ser e do Universo o Maná hiperatrofiado do lucro
urgente e mal adquirido. A existir uma nova economia,
trata-se daquela que aposta na utilização de energias fornecidas gratuitamente pelo meio natural, sem que seja necessário extraí-las
à força da Terra, dos Oceanos, do ar, reinos mineral, vegetal, animal ou Humano.Tomar consciência da mutação económica em
curso é preparar o controlo de uma revolução de Mercado e seus meios envolventes. A história só conheceu Revoluções ditadas por
imperativos económicos, nos quais a consciência humana se imiscuiu para colher apenas derrotas- quer se trate dos movimentos
comunitários dos séculos XII e XIII, dos direitos do Homem, dos conselhos operários ou das colectividades de 1937.
Deixemos de ignorar o que decorre sob os nossos olhos: uma revolução está em vias de se
processar, ela apregoa um regresso ao "Valor de uso", o desenvolvimento de energias renováveis, a fecundidade natural das terras
e dos oceanos, o fim do trabalho servil e o reino da Criatividade. Cuidado! Trata-se, nem mais nem menos, de uma Revolução
económica que procurará triturar-nos servindo-se da Mercadoria renovada como isco. Cabe a nós ultrapassá-la, instaurando a
gratuidade da VIDA.