domingo, 4 de janeiro de 2015

JAPÃO A CRU, NO MUSEU DO DESIGN E DA MODA

Sob o título de Japão a Cru, o MUDE – Museu do Design e da Moda, Coleção Francisco Capelo apresenta duas exposições sobre a cultura e o design nipónico: Boro – Um Tecido de Vida (Fabric of Life) e Puras Formas (Naked Shapes).
Ambas exposições abordam questões muito atuais, como a preservação dos recursos materiais, o respeito pela natureza, a reutilização ou transformação dos materiais e a duração de vida de cada produto. Por estas razões, mas também pela simplicidade e qualidade estética intrínseca das peças, estas duas exposições integram programação do MUDE 2014, estando patentes no piso 1, entre 9 outubro 2014 e 8 de fevereiro de 2015.
A exposição Boro – Um Tecido de Vida apresenta 54 peças (quimonos, bolsas, tatamis) elaboradas através do método Boro. “Boro” significa farrapo e consiste em cerzir tecidos diferentes, tingindo, posteriormente, as peças têxteis em índigo. Esta foi uma técnica corrente no Japão desde o final do século XVIII até meados do século XX. Os têxteis Boro espalharam-se por todo o Japão, durante cerca de 200 anos, já que a estrutura sócio- económica manteve-se inalterada até ao início do século XX.Estas peças eram raramente em algodão, pois este material destinava-se a classes mais abastadas. As peças Boro eram tecidas a partir de plantas autóctones como o cânhamo, rami, amoreira de papel, glicínia e urtiga. Os camponeses compravam retalhos e roupas usadas transformavam-nas em peças únicas japoneses de forma a obter têxteis mais resistentes

sábado, 3 de janeiro de 2015

SINCRONIA


Há dias em que me sinto
lasso, e me pende fraco
o corpo no leito tão desleixado;

são dias em que me finto
e deixo para trás a sombra
perdida de mim
e vivo vidas estranhas,
entre a vigilia e o sono,
longe da terra enlutada...

podem chamar-me madraço,
mas então eu sem nada fazer
escalo a Torre de Babel,
vou-me a templos assombrados,
oscilo negligente
na pontinha de um cordel
suspenso nas muralhas de um castelo...
e, sem no entanto alcançá-lo,
deixo ao menos para trás
as águas frias do fosso;
fosso, meu quotidiano, onde atroam
misérias, pruridos, estranhos
pudores, e a voz sangrenta
dos motores dos cadafalsos
automáticos.

Mas quem quererá saber
das minhas viagens de cabeça?

Os mundos por que espreitei?
E eu aqui mudo e quedo!

Dou logo a seguir um salto,
sopro à pressa o pó ao quarto,
recomeço a lide a pôr
em, dia, a criar a sincronia
a sincronia entre a imaginação
e a mão que pode defender
da Letargia.

SER POETA


Ser poeta
é ser distante
de todo um Mundo
pequeno e mesquinho.


É sair da carapaça
dos dogmas e migrar
aonde
poucos podem chegar.


Ser poeta é ter
a sensibilidade para
os grandes desafios da
Vida.


É vaguear bem
devagarinho pelas
alamedas dos sentimentos
profundos.


É entrar em comunhão
com o “Espírito Universal”e saber
que nunca se está sozinho.

15/3/93

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015